Confrários!: Neologismo utilizado pelos participantes da Confraria, nascido da junção das palavras confrades e revolucionários!
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Fragmentos da Poesia Marginal: "Frígida"
FRÍGIDA
(Éric Meireles de Andrade)
Entre meu olhar e teus seios
Rogo que sejas minha
Imploro por deixares tocar
Com o fruto, conseguir te penetrar.
Rias de minhas súplicas
E não gozas no gozo do gozo.
Já és tão espiritual
Ao ponto de não sentir tesão?
Não peço que mudes
Só peço que me sinta...
Fragmentos da Poesia Marginal: "Desejo"
DESEJO
(Éric Meireles de Andrade)
Olho para o seu corpo
Leio seus desejos
Imagino nossos corpos
Varando nossos sentidos
Entre o beijo e o lençol e...
Indo e vindo,
Roçar no sonho perdido
O amor que sinto por você...
Fragmentos de Poesia Marginal: Prefácio
PREFÁCIO
Em uma "mágica esperança", Éric Meireles de Andrade estreia seu primeiro livro de poesias. São fragmentos secos, diretos, com a força de uma juventude que persiste em sua alma. Conheci Éric trabalhando no departamento de Esporte e Lazer na Prefeitura de São Paulo e logo tivemos uma empatia direta. Éric chegava com a vitalidade daqueles que buscam “entoar a luta do povo”, dos que sensibilizam pelos seus “gostos e desgostos”. E seu canto mágico é de um louco são, “um homem que diz não...” e que se recusa a seguir as cartilhas impostas, tanto na métrica, como na vida. Em seus Fragmentos, Éric para, ouve o silêncio, apaixona-se por multidões e também por uma só, que do “quarto, nada mais é dona... Só o silêncio”.
A poesia marginal de Eric expressa a lucidez da revolta, “rompe a parede dos tempos”, ouve seu amigo chorar “Benito”, volta a “Minas que tardia”, reencontra sua mãe, sonha com “chuvas chorosas” e nelas busca a paz, bondosas chuvas para quem segura “o mar nas montanhas”. Em sua juventude, Éric é um homem de trinta anos (ou mais, ou menos, sempre continuará jovem), homem canhoto que persegue a primavera, “febril... de sangue... escrota... prima. Primavera Vera / beleza explícita de galhos calvos...”. Quem, poderia pensar em galhos calvos na primavera? Apenas quem tem a sensibilidade de olhar para um país como Brasil, tão infinito, tão exuberante, mas ao mesmo tempo com galhos tão calvos, de um povo que ainda não floriu plenamente. Mas que não desiste nunca, e insiste, navega, sorri. E olha além da floresta, como Mário de Andrade (mais uma identidade a me unir a Éric) “e escreve como modernidade quente o asfalto e o modernismo...”.
Em seus Fragmentos, agora em São Paulo, há tempo de parada na rua do Arouche, “Ô miséria de vida!”, numa rua que transborda, numa cidade que é muitas. Dialética, em “brigas simultâneas e desordenadas”, cheia de encruzilhadas onde o “oposto é ao mesmo tempo o mesmo”. E assim Éric foi aprendendo na terra em que há mais contrastes neste Brasil dos contrastes; antropofágico, aprendeu em São Paulo a ser “poeta e analfabeto”. Ao trabalharmos juntos, vi Éric se embrenhar nas periferias, viver nos programas sociais, na Bolsa Trabalho para os jovens e no Começar de Novo para os velhos. E unindo os dois, vibrando com cada conquista. Posteriormente, quando vim trabalhar no Ministério da Cultura, trouxe Éric; quem mais poderia se jogar com tanto afinco em vilas e favelas? Quem mais poderia brilhar a cada pequeno êxito de um jovem em um Ponto de Cultura? Sem descanso, Éric sorriu. Sem descanso, Éric chorou. Sem descanso, Éric decretou “Morte aos Elefantes Brancos”, brigou com a burocracia, com os percalços e os nomes frios. Mas foi na lucidez da revolta, olhando o “Ocaso de Paranoá” que não se esqueceu de “que hoje é simplesmente hoje, E amanhã, Talvez seja uma coisa diferente...”.
Boa leitura a todas e a todos, nestes Fragmentos há poesia de primeira qualidade, de um Brasil de primeira qualidade, marginal e que começa a florir.
Historiador
Livro: Fragmentos da Poesia Marginal (Éric Meireles de Andrade)
Dados internacionais de
Catalogação na Publicação (CIP)
"Fragmentos da Poesia Marginal"
Éric Meireles de Andrade
Editora Libra Três, 2006. São Paulo.
ISBN: 85 88240 08X
1. Literatura brasileira 2. Poesia brasileira – Século XXI
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Inaiê Reis de Andrade - Futuro
FUTURO
(Inaiê Reis de Andrade)
Na juventude, cheios de esperança,
Nós fazemos planos para o futuro,
Como num sonho ingênuo de criança: -
Sonho sem mácula, singelo e puro...
Esperamos por ele. E o tempo avança.
O dia-a-dia torna-se mais duro.
...
(Inaiê Reis de Andrade)
Na juventude, cheios de esperança,
Nós fazemos planos para o futuro,
Como num sonho ingênuo de criança: -
Sonho sem mácula, singelo e puro...
Esperamos por ele. E o tempo avança.
O dia-a-dia torna-se mais duro.
...
Parece mais distante e mais escuro,
Como o horizonte, que ninguém alcança.
E, numa frustração vazia e triste,
Nós descobrimos que ele não existe.
Não há mais nada esperando lá fora...
Futuro é criação do pensamento;
Não há nada pra lá deste momento.
Futuro é uma ilusão: - ele é AGORA!...
Como o horizonte, que ninguém alcança.
E, numa frustração vazia e triste,
Nós descobrimos que ele não existe.
Não há mais nada esperando lá fora...
Futuro é criação do pensamento;
Não há nada pra lá deste momento.
Futuro é uma ilusão: - ele é AGORA!...
Inaiê Reis de Andrade - Enigma
ENIGMA
(Inaiê Reis de Andrade)
E vim pelos descaminhos
Para encontrar um rumo;
E entrei nas sendas da morte
Para buscar a vida;
E embrenhei-me na noite
Para achar o dia;
E mergulhei no ódio
...
(Inaiê Reis de Andrade)
E vim pelos descaminhos
Para encontrar um rumo;
E entrei nas sendas da morte
Para buscar a vida;
E embrenhei-me na noite
Para achar o dia;
E mergulhei no ódio
...
Para vislumbrar o amor;
E fiquei à espera
Para chegar primeiro!...
E fiquei à espera
Para chegar primeiro!...
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