Confrários!: Neologismo utilizado pelos participantes da Confraria, nascido da junção das palavras confrades e revolucionários!

domingo, 11 de janeiro de 2015

III Antologia - Confraria dos Poetas: "Para minha mãe", de Inaiê Reis de Andrade

PARA MINHA MÃE
(Sra. Emirene Andrade Reis - in memorian)

Como seria bom se hoje eu pudesse
Estar ainda sob seu amparo!
O amor materno é sentimento raro
Que um filho de verdade não esquece.

Mas, seja como for, sei bem que existe
O mesmo cuidado de antigamente;
É como se nunca estivesse ausente
Porque as mães têm o amor que não desiste.

É importante manter este carinho
Que entre nós até hoje permanece.
Certo de que a senhora não me esquece,
Sinto que, a sós, eu nunca estou sozinho!...

III Antologia - Confraria dos Poetas: "Tempero", de Inaiê Reis de Andrade

TEMPERO

Tem que haver calmaria e também tempestade.
A rotina banal de nosso dia-a-dia
Se transforma em patética monotonia
Se ficarmos entregues à ociosidade.
Quando não há distância, tristeza, ansiedade,
A vida vai ficando pálida e vazia
E mata as emoções de maneira tão fria
Que nem deixa lugar para a nossa vontade.
Se passarmos o tempo todo na euforia
Das mesmices inúteis da mediocridade
Seremos nada mais que outro casal qualquer: -
Apenas mais um homem; mais uma mulher.
O tempero que aumenta o nível do prazer
Quando um casal se gosta, se deseja e quer,
Consiste de alegrias, mas também de dor.
É disso que se faz um romance de amor.
Essa mistura altera o nosso sentimento
E permite sonhar, trazer ao pensamento
Cada instante vivido de felicidade.
Não há graça no amor, se não houver saudade!...

III Antologia - Confraria dos Poetas: "Equilíbrio", de Inaiê Reis de Andrade

EQUILÍBRIO

Dia e noite; Noite e dia.
O dia é quente; a noite é fria.
Essa fusão dos dois extremos
Forma o mundo em que vivemos
Buscando a essência da felicidade.
Daí a grande necessidade
De encontrarmos o ponto essencial
De equilíbrio entre o bem e o mal;
Entre o amor e a dor;
Entre o frio e o calor;
Entre o pranto e o sorriso;
Entre o inferno e o paraíso;
Entre o tudo e o nada;
Entre eu e minha amada!...

III Antologia - Confraria dos Poetas: "Atípico", de Inaiê Reis de Andrade

ATÍPICO

Meu estro atualmente está falhando.
Deve ser por causa da noite escura;
Deve ser o som do silêncio ecoando
No abismo em que minh’alma te procura.
Quero compor de um modo diferente;
De um modo que me faça estar presente
Em cada gesto ou pensamento teu,
Para que, mesmo se estiver ausente,
Em tua mente sintas que sou eu
Quem escreveu estes versos agora
Enquanto lá fora
A noite segue em sua trajetória
Correndo disparada
Atrás do amanhecer
Em busca do desfecho desta história!...

III Antologia - Confraria dos Poetas: Inaiê Reis de Andrade (Apresentação)

Apresentação:

Inaiê Reis de Andrade


INAIÊ REIS DE ANDRADE


Poeta nascido em 1942, escreve desde os 08 anos de idade. Tendência para a poesia lírica e clássica, não por ser conservador ou anacrônico, mas por fluir a maioria dos poemas com métrica, rimas, ritmo e cadência de modo natural. Nem por isso deixa de produzir e de apreciar a poesia moderna feita com versos brancos e livres, desde que tenha conteúdo (uma mensagem implícita, que faça pensar e toque o leitor de modo construtivo). Paladino do vernáculo pela beleza e pela riqueza do idioma pátrio.
Autor de vários livros abrangendo filosofia, política, parapsicologia, tecnologia, contos e poesias. No campo da poesia escreveu os seguintes volumes: - Alguns anos de canção (composições musicais), Ecos de solidão, Eros-volúpia, Idealismo, Íntimo poético (primeiros versos), Lira de Eros, Miragem, O mundo perdido, Últimos poemas, Vivências e Vozes das sombras. Prêmios: - Concurso binacional (Brasil/Paraguay – 1983); Litteris Editora (Rio de Janeiro 2001 e 2002); Secretaria da Cultura – Dia nacional de Poesia (Guarujá/SP – 2007).

III Antologia - Confraria dos Poetas: "Lembranças do meu último adeus", de Francisco Hawlrysson de Sousa

LEMBRANÇAS DO MEU ÚLTIMO ADEUS

Me dói ver
a felicidade das crianças de rua
nos seus albergues estrelados.

As pessoas que viram cartas,
bichos perigosos e
pirotecnias no dia de domingo.

Os sinais de mudança,
quando as nuvens viram, se
dissipam
e se transformam em lágrimas.

A lenta agitação
das matas e dos muros que nos cercam.

A carne podre
e febril que se atormenta quando digo boa noite.

E o retrato
estampado em preto e branco,
com cheiro de mofo,
em cima da mesa da sala.