O CÂNCER
O câncer que me atormenta, agora, não é o mesmo de outrora
Ele é atroz, desalmado, desumano
Destrói sonhos e trai a liberdade
Cruel, ele perverte o amor
e o torna odioso.
Vale-se do sangue e da lágrima alheia,
navegando num mar de sadismo
e mórbido prazer.
Faz da imagem feminina uma tórrida lembrança
que consome a mente em que passeia
Um passeio pérfido, cafajeste e doloroso
Abusivo, intermitente, incessante
Uma dor lancinante que torna homens canalhas, psicóticos e
misóginos
Oh, sim! Mas não a mim!
Este câncer que me atormenta agora
não me fez um pária e nem canalha!
Fez-me só mais uma vez,
neste momento presente, ou talvez para sempre
Apenas só e nada mais,
mas vivendo cada vez mais
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